Grande filme.
Não dei muita bola, a princípio. Achei que seria mais um desses filmes-testes para novos recursos de animação. Fizeram uma coisa interessante dessa vez: usaram as imagens de atores de verdade no desenho. A Angelina Jolie ficou muito parecida. Entretanto, esse recurso tira um pouco a, digamos, humanidade da personagem. Acabamos estranhando um desenho tão parecido com um ator tanto quanto um ator familiar descaracterizado em sua forma-desenho.
Mas o roteiro, em compensação, é realmente bem feito. Há muita sugestão, tanto pelo cenário sombrio quanto pelas elipses, que mantêm a narrativa em suspense permanente. As personagens são fortes e arquetípicas, e Grendal é um monstro e tanto.
O que há de mais interessante é a construção simbólica do enredo, em que um homem poderoso luta contra um passado que, por mais reprimido e silenciado que seja, sempre retorna para apontar suas fraquezas. Não será um pouco do que fazemos todos nós em relação às nossas culpas?
Robert Zemeckis soma mais um bom filme à lista dos que regeu com competência, da qual destaca-se, ainda soberano, Forrest Gump.