Uma obra realmente diferente, e bem bacana. Mas cruel. Cria-se toda uma expectativa de sobrevivência dos condenados, e essa expectativa vai sendo diluída aos poucos, com sofrimento e sangue, pelos lobos. No enredo, a natureza exerce o papel de carrasco do ser humano. E o ser humano está numa condição muito desfavorável diante da natureza: não há chances, e é preciso apostar nelas; a melhor aposta é a união, e ela não acontece. Talvez se possa pensar, aqui, numa metáfora da transitoriedade da vida humana, na qual a sobrevivência ilimitada é impossível, e na qual é preciso traçar objetivos até que o limite inevitável seja atingido. A melhor cena do filme é aquela em que os perseguidos-condenados discutem suas crenças. Nesse momento, eles procuram conforto diante da percepção de que o limite da vida está próximo. Procuram refazer suas experiências, rever suas histórias, reconstruir suas motivações. A crueldade do filme não está exatamente no desfecho da trama, mas na percepção de que a condição de guiar nossas existências nos mares tempestuosos da experiência da vida depende, em grande parte, de nossa crença de que podemos fazê-lo, e que essa crença se revela frágil diante das circunstâncias. Sem perspectiva dos resultados finais da luta, resta-nos a luta em si mesma. Belo e forte.
quarta-feira, 18 de julho de 2012
domingo, 15 de julho de 2012
Poder sem limites
Poder sem limites trazia uma concepção interessante. A partir das filmagens de um garoto obcecado por câmeras, buscava desenvolver uma narrativa de jovens mini-heróis em plena fase de deslumbramento com seus poderes sobrenaturais recém-descobertos. A história poderia ser muito bem desenvolvida a partir dessa ideia central, e até vi nos momentos iniciais do filme um fôlego que me surpreendeu. São bonitas as cenas de voo dos meninos, que remetem a sensações de flutuação, de liberdade, de ausência de peso.
O que vem depois, no entanto, é óbvio e superficial. Um criminoso e um bonzinho, o primeiro enxaropando e o outro mantendo a consciência, um embate de bem e mal com ações gratuitas, exageradas e desnecessárias. Tudo over e raso, sem nuances, sem tiradas, sem sacadas, sem alternâncias para deixar o espectador em dúvida.
A cenografia também me aborreceu um pouco. É interessante a ideia de que o filme seja contado do ponto de vista da lente da câmera, mas é inverossímil, mesmo para uma história ficcional, que isso englobe todas as cenas da trama, importantes ou não. O recurso criativo acaba virando uma camisa de força, obrigando a criação de situações despropositadas. O enredo acaba soando artificial. Teria sido melhor abrir mão de determinadas cenas. Mas como fazer isso num filme que é quase exclusivamente produção de pretexto para cenas explosivas?
Gostei muito da sacada de dar poderes a adolescentes que não sabem usá-los. Não gostei de terem dado essa ideia a roteiristas que não viram quanto ela podia render.
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