Poder sem limites trazia uma concepção interessante. A partir das filmagens de um garoto obcecado por câmeras, buscava desenvolver uma narrativa de jovens mini-heróis em plena fase de deslumbramento com seus poderes sobrenaturais recém-descobertos. A história poderia ser muito bem desenvolvida a partir dessa ideia central, e até vi nos momentos iniciais do filme um fôlego que me surpreendeu. São bonitas as cenas de voo dos meninos, que remetem a sensações de flutuação, de liberdade, de ausência de peso.
O que vem depois, no entanto, é óbvio e superficial. Um criminoso e um bonzinho, o primeiro enxaropando e o outro mantendo a consciência, um embate de bem e mal com ações gratuitas, exageradas e desnecessárias. Tudo over e raso, sem nuances, sem tiradas, sem sacadas, sem alternâncias para deixar o espectador em dúvida.
A cenografia também me aborreceu um pouco. É interessante a ideia de que o filme seja contado do ponto de vista da lente da câmera, mas é inverossímil, mesmo para uma história ficcional, que isso englobe todas as cenas da trama, importantes ou não. O recurso criativo acaba virando uma camisa de força, obrigando a criação de situações despropositadas. O enredo acaba soando artificial. Teria sido melhor abrir mão de determinadas cenas. Mas como fazer isso num filme que é quase exclusivamente produção de pretexto para cenas explosivas?
Gostei muito da sacada de dar poderes a adolescentes que não sabem usá-los. Não gostei de terem dado essa ideia a roteiristas que não viram quanto ela podia render.

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