Daniel Piza escreveu esta crítica sobre o filme. Eu escrevi este comentário sobre a crítica dele:
Lamento, Daniel, sua leitura do filme deixa a impressão de que é tudo um amontoado de clichês. Não é. Há personagens menos surpreendentes, mas uma coleção bacana de situações e uma reflexão interessante acerca das escolhas amorosas. A trilha sonora é bacana também, e não há nada de errado com as tomadas de Barcelona.
Agora, sua visão negativa sobre os dois homens da história é incompreensível. Juan Antonio continua sedutor até o fim, e se não é uma intervenção quase assassina de Maria Elena estaria ele a faturar a Vicky de novo. Doug é um cara sem sal e bobão, ok. Mas não se dá mal na história, se formos analisar.
Você não pesou o fato de que o foco do filme são as angústias femininas nos relacionamentos. Desse ponto-de-vista, os homens são justamente o fator que movimenta a história, são motivos de dúvidas, debates, dramas existenciais. São, portanto, muito mais importantes do que você avaliou.
Não sei o que você espera de um filme de Woody Allen. Se Manhattan for semrpe o seu parâmetro, você sempre terá de fazer críticas injustas a filmes que são muito melhores que a média dos que vemos no cinema.
domingo, 23 de novembro de 2008
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Rios vermelhos
Filme que peguei na TV na madrugada, véspera de feriadão. Interessantíssimo. Um suspense bem ajambrado, em que se destaca a atuação do trio principal de atores. Não é só uma história de serial killer, é uma complexa rede de acontecimentos interligados que exige grande esforço do espectador para comprrendê-la. Gostei muito da direção de arte, das atmosferas sombrias e solitárias e da trama, que se associa à eugenia e ao nazismo. Com duas investigações correndo paralelamente durante boa parte da história, o filme flui com muita agilidade em sua primeira parte, e consegue segurar a atenção na parte final, embora eu tenha achado o final muito abrupto para um enredo tão interessante. Achei curioso o fato de o filme ser francês, mas ter toda a cara de thriller hollywoodiano. Como vi dublado, talvez tenha perdido um pouco do charme da pronúncia, tão agradável aos ouvidos. Da próxima vez, aciono a tecla SAP.
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Homem de ferro
O herói do filme começa como vilão. Dono de uma fábrica de armas, leva uma vida que combina muito poder, muita fatuidade e muita alienação. Quando precisa usar seu talento para fugir de uma caverna afegã, descobre-se um defensor da paz e da ordem. Nada mais natural: ele entrara em contato com terroristas, que são outro lado da moeda (o que utiliza) dos fabricantes de armas. O mocinho ex-vilão desenvolve, então, uma arma poderosa para combater o poder das armas poderosas que vinha fabricando: uma super armadura comandada por computador. Seu comportamento playboy e indisciplinado não muda tanto, mas sua postura em relação às tensões mundiais fica evidente. Ele enfrenta os vilões que se uniram (o novo comandante da fábrica de armas e o chefe dos malditos terroristas afegãos) e protagoniza cenas de combate muito bacanas. Mas não preserva sua identidade de super-herói, nem consegue ficar com a mocinha (embora fature uma jornalista gostosa no começo da história).
Robert Downey Jr. está excelente, sobrando para o papel, muito convincente. E a cenografia é muito competente, criando climas sombrios para momentos agudos de tensão.
Robert Downey Jr. está excelente, sobrando para o papel, muito convincente. E a cenografia é muito competente, criando climas sombrios para momentos agudos de tensão.
sábado, 2 de agosto de 2008
Beowulf
Grande filme.
Não dei muita bola, a princípio. Achei que seria mais um desses filmes-testes para novos recursos de animação. Fizeram uma coisa interessante dessa vez: usaram as imagens de atores de verdade no desenho. A Angelina Jolie ficou muito parecida. Entretanto, esse recurso tira um pouco a, digamos, humanidade da personagem. Acabamos estranhando um desenho tão parecido com um ator tanto quanto um ator familiar descaracterizado em sua forma-desenho.
Mas o roteiro, em compensação, é realmente bem feito. Há muita sugestão, tanto pelo cenário sombrio quanto pelas elipses, que mantêm a narrativa em suspense permanente. As personagens são fortes e arquetípicas, e Grendal é um monstro e tanto.
O que há de mais interessante é a construção simbólica do enredo, em que um homem poderoso luta contra um passado que, por mais reprimido e silenciado que seja, sempre retorna para apontar suas fraquezas. Não será um pouco do que fazemos todos nós em relação às nossas culpas?
Robert Zemeckis soma mais um bom filme à lista dos que regeu com competência, da qual destaca-se, ainda soberano, Forrest Gump.
Não dei muita bola, a princípio. Achei que seria mais um desses filmes-testes para novos recursos de animação. Fizeram uma coisa interessante dessa vez: usaram as imagens de atores de verdade no desenho. A Angelina Jolie ficou muito parecida. Entretanto, esse recurso tira um pouco a, digamos, humanidade da personagem. Acabamos estranhando um desenho tão parecido com um ator tanto quanto um ator familiar descaracterizado em sua forma-desenho.
Mas o roteiro, em compensação, é realmente bem feito. Há muita sugestão, tanto pelo cenário sombrio quanto pelas elipses, que mantêm a narrativa em suspense permanente. As personagens são fortes e arquetípicas, e Grendal é um monstro e tanto.
O que há de mais interessante é a construção simbólica do enredo, em que um homem poderoso luta contra um passado que, por mais reprimido e silenciado que seja, sempre retorna para apontar suas fraquezas. Não será um pouco do que fazemos todos nós em relação às nossas culpas?
Robert Zemeckis soma mais um bom filme à lista dos que regeu com competência, da qual destaca-se, ainda soberano, Forrest Gump.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
Desmundo
Vi hoje.
Deslumbrante.
Um dos melhores filmes brasileiros que já vi.
Elenco afiadíssimo, roteiro bem construído, extraordinária reconstituição de época (não avalio se historicamente está tudo nos conformes, mas o clima criado envolve e a ambientação tem verossimilhança).
Li em algum lugar algo com que concordo: é um filme que consegue nos remeter a elementos da história das mentalidades. Talvez, nesse sentido, o que mais nos impressione não seja a distância no tempo, mas a permanência de certo espírito de brutalidade colonial em nossa arquitetura ideológica atual.
Outra coisa: é um filme eurocêntrico "negativo", digamos assim, pois mostra as estruturas de poder dos portugueses no Brasil sob o ângulo da degradação e da violência. Leva até a repensar nossa noção de civilização e civilidade.
Recomendo.
Deslumbrante.
Um dos melhores filmes brasileiros que já vi.
Elenco afiadíssimo, roteiro bem construído, extraordinária reconstituição de época (não avalio se historicamente está tudo nos conformes, mas o clima criado envolve e a ambientação tem verossimilhança).
Li em algum lugar algo com que concordo: é um filme que consegue nos remeter a elementos da história das mentalidades. Talvez, nesse sentido, o que mais nos impressione não seja a distância no tempo, mas a permanência de certo espírito de brutalidade colonial em nossa arquitetura ideológica atual.
Outra coisa: é um filme eurocêntrico "negativo", digamos assim, pois mostra as estruturas de poder dos portugueses no Brasil sob o ângulo da degradação e da violência. Leva até a repensar nossa noção de civilização e civilidade.
Recomendo.
domingo, 24 de fevereiro de 2008
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