Uma obra realmente diferente, e bem bacana. Mas cruel. Cria-se toda uma expectativa de sobrevivência dos condenados, e essa expectativa vai sendo diluída aos poucos, com sofrimento e sangue, pelos lobos. No enredo, a natureza exerce o papel de carrasco do ser humano. E o ser humano está numa condição muito desfavorável diante da natureza: não há chances, e é preciso apostar nelas; a melhor aposta é a união, e ela não acontece. Talvez se possa pensar, aqui, numa metáfora da transitoriedade da vida humana, na qual a sobrevivência ilimitada é impossível, e na qual é preciso traçar objetivos até que o limite inevitável seja atingido. A melhor cena do filme é aquela em que os perseguidos-condenados discutem suas crenças. Nesse momento, eles procuram conforto diante da percepção de que o limite da vida está próximo. Procuram refazer suas experiências, rever suas histórias, reconstruir suas motivações. A crueldade do filme não está exatamente no desfecho da trama, mas na percepção de que a condição de guiar nossas existências nos mares tempestuosos da experiência da vida depende, em grande parte, de nossa crença de que podemos fazê-lo, e que essa crença se revela frágil diante das circunstâncias. Sem perspectiva dos resultados finais da luta, resta-nos a luta em si mesma. Belo e forte.
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