sábado, 1 de maio de 2010

Chico Xavier

As pessoas não precisam se assustar em relação a qualquer carga de doutrinação que pudesse haver num filme que tematiza uma das maiores personalidades do espiritismo em todos os tempos. "Chico Xavier" é uma obra sem grandes pretensões nesse sentido. E, como entretenimento, envolve, agrada e comove. Não há grandes discussões filosóficas, nem exames acurados sobre a veracidade ou falsidade dos fenômenos a que a película alude. A abordagem é biográfica, centra-se no homem Francisco de Paula, em sua trajetória de figura pública e no sofrimento resignado que caracterizou sua convivência com a mediunidade que possuía. As atuações são indicutivelmente competentes (com destaque para Ângelo Antônio), o roteiro dosa com equilíbrio emoção, humor, tensão e dados históricos, e a direção consegue segurar o ritmo da trama, sem cenas espetaculares, sequências antológicas ou pirotecnias.
Lamento apenas que a obra social do médium (que é, em última análise, seu maior legado) tenha aparecido tão pouco. Mais que o dom de ouvir espíritos, a caridade foi o que diferenciou esse grande brasileiro da média de seus coetâneos; infelizmente, essa virtude chama menos a atenção do que deveria.

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