Comovente documentário sul-africano vencedor do Oscar de 2021. Inúmeras qualidades.
Música completamente harmonizada com a intensidade das cenas.
Nenhuma intervenção humana relevante no ciclo natural dos animais envolvidos.
Muitas cenas deslumbrantes da praia, do mar, das ondas batendo em rochas.
Os protagonistas são os animais.
Edição de imagens produz narrativa convincente, com boas escolhas.
Está disponível na NETFLIX.
Além disso tudo, o doc sustenta reflexões sobre a vida humana e animal.
Para a maioria das pessoas, o amor a um animal é uma realidade cotidiana.
No entanto, normalmente esse amor dialoga com as conveniências da vida do ser humano envolvido.
Gatos e cães são bem-vindos. Ácaros, baratas e pernilongos, não.
E mesmo os animais bem-vindos devem ser "domesticados", ou seja, adaptados ao domus, a casa. Consequentemente, devem seguir as regras do dominus, o senhor.
Este documentário mostra uma outra forma de amar os animais, que é entrar cuidadosamente, com respeito e carinho, em seus territórios, em suas casas, e aceitar as regras do jogo da natureza.
Não é forçar o bichinho a sair bem na foto. Não é fazer ele ter reações que o estressam ou reduzem sua condição de sobrevivência.
É bater na porta da natureza dele e reconhecer o tamanho da inteligência e grandeza que tem ali.
E pensar nessa grandeza como algo que independe de nós, embora nos permita projeções acerca de nós mesmos.
Seria uma forma superior e menos egoísta do amor?

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