sábado, 26 de novembro de 2016

Pulp Fiction




Filme muito cultuado dispensa comentário com resenha crítica. Terei mais facilidade em apontar aquilo que aprecio sem moderação na obra.
A trilha sonora é fantástica, do começo ao fim. As canções são escolhidas com muita felicidade para cada cena. Uma extraordinária decupagem ocorre quando "You'll be a woman soon" é colocada para tocar pela personagem Mia, servindo para conduzir sua empolgação e, ao mesmo tempo, para embalar a sequência de tensão sexual entre ela e Vincent. A canção funciona simultaneamente como source music e tema de fundo.
Gosto muito da cena do restaurante, cheia de estilo, de referências, de colorido. Enquanto os dois se provocam e se desafiam, muitas informações recheiam a tela e a imaginação. Simpatizo com a ideia de comer dentro de um carro de época, respirando a atmosfera de um tempo histórico empolgante no meu imaginário.
As cenas do trato entre Butch e Marsellus também mexem comigo. Tratando-se de um acordo para findar uma perseguição provavelmente letal, construído a partir da opção de Butch de interromper o estupro a que seu perseguidor estava sendo submetido, a sequência coloca, ironicamente, a honra como elemento central, num contexto marcado pela banalização da violência contra a vida.
O elenco é de primeira. John Travolta faz seu melhor trabalho no cinema, e acredito que Bruce Willis também.
Provocações, ironias e tiradas sucedem-se num ritmo de condução da trama raríssimo de se encontrar. É isso. Vale ver. Mesmo quem não gosta muito do estilo de Tarantino tem de admitir que ele faz cinema de primeira, muito bem feito, e sem concessões à previsibilidade e à pieguice. 

Nenhum comentário: