Tenho enorme admiração e simpatia pelas ideias de Noam Chomsky, desde meus tempos de estudante universitário. Considero-o intelectual de lucidez extraordinária, com coragem para analisar e expor problemas da sociedade americana e do capitalismo global. Não sei se é o maior intelectual vivo, como se costuma dizer, mas é um dos intelectuais com pensamento mais consistente dentre aqueles que se tornaram figuras públicas de destaque.
O filme é um tributo ao trabalho desse grande pensador, e é montado para mostrar a essência de suas contribuições em relação a questões políticas e de economia. Sem pirotecnias, apenas com imagens que funcionam quase como lâminas decorativas e ilustrativas, este documentário vale a pena justamente porque deixa o raciocínio de Chomsky fluir e penetrar como um estimulante em nossas convicções democráticas mais profundas. Optou-se pelo mínimo de direcionamento de sua fala (evidentemente, as escolhas das sequências e cenas e as edições já são direcionamentos), o que se pode perceber pela ausência de uma locução narrativa paralela, o que parece ter minimizado a intervenção explícita do narrador, que se dá exclusivamente por meio de legendas e escolhas de imagens. Há, funcionando como marca enunciativa, uma esquematização didática da exposição, o que, obviamente, corta alguns raciocínios que gostaríamos de ver um pouco mais desenvolvidos, mas ao mesmo tempo permite uma maior concentração de posições polêmicas no mesmo espaço de tempo cinematográfico.
O diretor soube deixar o mérito maior para Chomsky, e essa é a grande virtude de seu trabalho.

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